Você está dando presente para a pessoa certa?

Você está dando presente para a pessoa certa?

Você está dando presente para a pessoa certa?

“Atenção, atenção!!! O natal deste ano vai ser menos iluminado que os anteriores por conta do racionamento de energia!”

Essa foi uma notícia
que ouvimos há poucos anos atrás. Mas, será que foi só o natal daquele ano que se tornou menos iluminado? Constato há anos uma grande e esmagadora maioria de pessoas às vésperas de Natal, preocupadas com um milhão de coisas: comida; bebida (e muita!); preocupação com a decoração da casa, da mesa, do comércio, das ruas; preocupação com o que dar de presente para parentes, amigos (conhecidos e secretos) e até presente para inimigos!!! Gente que, talvez durante o ano se negou a ajudar alguns infelizes que lhes pedia uma moeda para matar a fome ou, gente que se negou a colaborar muitas vezes com nossas paróquias e comunidades com a desculpa do “não tenho condições” ou “lá vem ele falar de dinheiro de novo” mas, agora ao final do ano tem, inclusive, para esbanjar com tantas futilidades.

É muito interessante ver que, no Natal – Nascimento de Jesus – acontece algo muito esquisito e triste: esse é o único aniversário em que o próprio aniversariante não ganha presentes! Há tanta troca de presentes entre as pessoas que o aniversariante fica esquecido, Ou,… desconhecido?!

Será que isso é Natal? Será que o “apagão” já não chegou há muito tempo nas famílias, inclusive na sua? Veja o que diz João no Evangelho:

“Nele (o Verbo) havia vida e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam. O Verbo era a verdadeira Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (Jo 1,4-5.9-11).

“…Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem”. Quanta treva; quanta escuridão. A humanidade escolhe viver no escuro a se abrir ao Menino Luz que nasceu no Natal. “…mas os seus não o receberam”. As portas de nossas casas e famílias estão escancaradamente abertas a uma figura bizarra e mentirosa e que é chamado de “Papai Noel”. Você pode pensar: mas e São Nicolau? Eu te respondo: São Nicolau é São Nicolau e isto é uma outra história; Papai Noel é Papai Noel assim como lobo mau engoliu a vovozinha! Infelizmente as portas e os corações estão abertos para “alguém” que não existe e completamente fechados para Jesus. Os pais ensinam as crianças a acreditar em Papai Noel e tem vergonha de falar de Jesus para elas! As criancinhas inocentes, coitadas, acreditam na existência do Papai Noel a ponto de se preocuparem o ano todo com o que vão ganhar dele; e são impedidas de celebrar o único e verdadeiro sentido do Natal: J E S U S ! Aquele que já nos deu o maior de todos os presentes: a Salvação! Que situação paradoxal! Não se ensina a verdade por vergonha e perde-se completamente a vergonha para ensinar a mentira! “A luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam”.

Você que é pai, você que é mãe pode fazer acontecer o verdadeiro Natal em sua família. Se ainda não o fez, faça a experiência nesse Natal e você verá quantas tolices ocupavam o lugar de Jesus que é o nosso verdadeiro tesouro: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador…” (Lucas 1, 68-69).

Olhar para a Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, principais protagonistas do Natal, é voltar-se para a fonte da Luz que tanto nossas famílias necessitam. É espelhar-se na família que o próprio Deus escolheu para si. Espelhar-se nela é refletir sua luz para toda esta sociedade consumista e paganizada; refletir sua beleza, seu amor, carinho, amizade verdadeira, perdão, verdadeiros sentimentos de fraternidade e paz; sobretudo, a partir da própria célula familiar tão carente destas coisas verdadeiramente positivas. Recordemos João Paulo II:

“… é na Sagrada Família, nesta originária Igreja doméstica, que todas as famílias devem espelhar-se… ela constitui, portanto, o protótipo e o exemplo de todas as famílias cristãs.” (Redemptoris Custos, 7 – João Paulo II).

Para tudo isso acontecer é necessário esperar/preparar de maneira adequada a Solenidade do Natal do Senhor. Viver plenamente um tempo. Esperança viva d’Aquele que há de vir. Esse tempo é o Advento. Tempo propício em que a Igreja, como mãe, nos ajuda a colocar o coração em compasso de espera numa atitude expectante daquele e daquela que aguarda o nascimento de uma Vida Nova. Desejar e receber um “Feliz Natal” deveria e deve significar um compromisso de vida de alguém que, desejou e se preparou para fazer do seu coração uma manjedoura e, ali, acolher Jesus o Salvador com toda a sua mensagem, a sua Boa Nova e o novo estilo de vida que Ele mesmo veio inaugurar. Ou seja, comemorar o Natal vai além de uma festividade ou reunião fraterna em família, é um comprometer-se com a vida cristã, com um testemunho de vida coerente com a fé que se proclama.

Que este natal seja também festa da família e da vida. Jesus veio através de uma família para salvar a família: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua família” (Atos 31,16). Recentemente Bento XVI disse no V Encontro Mundial das Famílias – Valência-Espanha: “A família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida. É um bem insubstituível para os filhos, que hão de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais. Proclamar a verdade integral da família, fundada no matrimônio, como Igreja doméstica e santuário da vida é uma grande responsabilidade de todos.”

É com esta responsabilidade que desejo a todos… que quiserem acolher o “dono” da festa, um FELIZ E SANTO NATAL!

Italo J. Passanezi Fasanella
Fundador e Moderador Geral
Comunidade Católica Sagrada Família